Última atualização em 13 outubro, 2025
Estruturas serão instaladas no fundo do mar na costa de Xangai ainda em outubro; projeto utiliza energia renovável e visa reduzir impacto ambiental dos servidores
O avanço da inteligência artificial vem exigindo uma infraestrutura cada vez mais robusta e poderosa, levando à expansão acelerada de data centers em todo o mundo. No entanto, esses ambientes computacionais exigem alto consumo de energia, especialmente para sistemas de resfriamento, o que tem se tornado um dos grandes desafios ambientais da era digital.
Como resposta inovadora a essa demanda, a empresa chinesa Highlander está prestes a iniciar a operação de seus primeiros data centers submersos, instalados no oceano próximo à cidade de Xangai. A proposta promete não apenas ampliar a capacidade de processamento, mas também reduzir drasticamente o consumo energético associado ao resfriamento, com estimativas de economia que podem chegar a 90%.
Tecnologia subaquática em expansão
Apesar de parecer futurista, a ideia de operar servidores submersos não é totalmente inédita. A Microsoft já realizou um experimento semelhante em 2018, ao instalar um pequeno data center nas águas da Escócia. Após dois anos em funcionamento, os equipamentos foram recuperados com resultados considerados positivos. Agora, a iniciativa chinesa avança um passo além, sendo a primeira com foco comercial e escala industrial.
A Highlander estruturou seu projeto com cápsulas de aço revestidas por um material especial resistente à corrosão, uma camada protetora com flocos de vidro que evita o contato direto com a água salgada, aumentando a durabilidade dos componentes eletrônicos. Essas cápsulas serão posicionadas no fundo do mar, onde a baixa temperatura das águas profundas naturalmente contribui para o resfriamento dos servidores, reduzindo a necessidade de equipamentos de climatização artificial.
Energia limpa e eficiência ambiental
Além da redução no consumo de energia para refrigeração, outro destaque do projeto é o uso intensivo de fontes renováveis. A estimativa é que mais de 95% da energia elétrica utilizada nas operações submersas venha de fontes limpas, como os parques eólicos marítimos instalados na região. Essa combinação de resfriamento natural e energia renovável torna os data centers submersos uma alternativa promissora para diminuir a pegada de carbono de grandes operações digitais.
O projeto já conta com grandes nomes entre os primeiros clientes, como a China Telecom, uma das principais operadoras de telecomunicação do país, e uma empresa estatal especializada em inteligência artificial.
Desafios técnicos e ambientais

Apesar do potencial transformador, o projeto não é isento de desafios. Um dos principais obstáculos está na instalação segura das estruturas subaquáticas, garantindo que os servidores permaneçam isolados da água salgada e resistam à pressão e às condições do fundo do mar.
Além disso, há o desafio de manter uma conexão estável com a internet, o que exigiu a criação de sistemas dedicados para garantir a qualidade do sinal. Para facilitar o acesso técnico, uma parte da estrutura ficará acima da superfície e será conectada por um elevador submerso que permitirá o deslocamento de equipes de manutenção até os módulos principais.
Do ponto de vista ambiental, também existem preocupações. Especialistas alertam para o possível aquecimento das águas ao redor das estruturas, que pode causar impactos no ecossistema marinho. A Highlander afirma que testes preliminares indicaram que os níveis de calor liberado permanecem dentro dos limites aceitáveis, mas estudos mais aprofundados ainda são necessários para avaliar o impacto a longo prazo.
Um novo horizonte para a tecnologia verde
Com o aumento exponencial na demanda por soluções computacionais voltadas à inteligência artificial, iniciativas como os data centers submersos representam uma resposta criativa e sustentável aos desafios contemporâneos. A combinação entre alta eficiência energética, uso de fontes renováveis e menor impacto ambiental coloca a China na vanguarda de um modelo que pode transformar a forma como o mundo lida com grandes volumes de dados.
Se o projeto alcançar os resultados esperados, é possível que essa tecnologia passe a ser adotada em outras regiões do mundo, sinalizando uma nova fase para o setor de infraestrutura digital: mais inteligente, mais verde e profundamente ligada ao oceano.



