Última atualização em 21 outubro, 2026
Clique para ouvir:
Parte I
Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante,
E o sol da liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da pátria nesse instante.
Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!
Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!
Brasil, um sonho intenso, um raio vívido
De amor e de esperança à terra desce,
Se em teu formoso céu, risonho e límpido,
A imagem do Cruzeiro resplandece.
Gigante pela própria natureza,
És belo, és forte, impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza.
Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!
Parte II
Deitado eternamente em berço esplêndido,
Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo!
Do que a terra, mais garrida,
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores;
“Nossos bosques têm mais vida”,
“Nossa vida” no teu seio “mais amores.”
Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!
Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado,
E diga o verde-louro dessa flâmula
– “Paz no futuro e glória no passado.”
Mas, se ergues da justiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.
Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!
Letra: Joaquim Osório Duque Estrada
Música: Francisco Manuel da Silva
Atualizado ortograficamente em conformidade com Lei nº 5.765 de 1971, e com
art.3º da Convenção Ortográfica celebrada entre Brasil e Portugal. em 29.12.1943.
Tópicos deste artigo
A história do Hino Nacional Brasileiro
A melodia que conhecemos hoje é anterior à letra. Segundo a tradição, Francisco Manuel da Silva a compôs por volta de 1822, época da Independência. Ela ganhou projeção em 7 de abril de 1831, quando Dom Pedro I abdicou do trono, e passou a ser tocada em cerimônias e a ser identificada como hino do país, ainda sem status oficial.
Com a Proclamação da República, em 1889, abriu-se um concurso para escolher um novo hino. A composição vencedora foi a de Leopoldo Miguez, mas a população reagiu e queria manter a melodia tradicional. O Decreto nº 171, de 20 de janeiro de 1890, resolveu o impasse: a música de Francisco Manuel da Silva foi mantida como Hino Nacional, e a de Miguez ficou como Hino da Proclamação da República.
A letra oficial veio mais tarde. Os versos de Joaquim Osório Duque Estrada, escritos em 1909, foram oficializados pelo Decreto nº 15.671, de 6 de setembro de 1922, ano do centenário da Independência. Hoje, o Hino Nacional é regulamentado pela Lei nº 5.700, de 1971, que dispõe sobre os símbolos nacionais e traz letra e música em anexo.
Os autores do Hino Nacional
Francisco Manuel da Silva (1795–1865) nasceu no Rio de Janeiro e foi maestro e compositor. Também foi o fundador do Conservatório de Música, em 1848, instituição considerada precursora da atual Escola de Música da UFRJ.
Joaquim Osório Duque Estrada (1870–1927) nasceu em Vassouras (RJ) e foi poeta, crítico literário e jornalista. É o autor da letra oficial, de linguagem parnasiana, com vocabulário elevado e inversões típicas da poesia da época.
O significado de cada estrofe
Parte I
Primeira estrofe (“Ouviram do Ipiranga as margens plácidas…”). Remete ao 7 de setembro de 1822, quando Dom Pedro I proclamou a Independência às margens do riacho Ipiranga, em São Paulo. O “brado retumbante” é o grito de independência, e o “sol da liberdade” simboliza o início de uma nova etapa para o país. Os versos seguintes dizem que, se a igualdade foi conquistada “com braço forte”, o povo está disposto a defendê-la até a morte.
Segunda estrofe (“Brasil, um sonho intenso, um raio vívido…”). O Brasil é apresentado como um sonho de amor e esperança que “desce à terra”. A “imagem do Cruzeiro” é a constelação do Cruzeiro do Sul, presente na Bandeira Nacional. Em seguida vem a imagem do “gigante pela própria natureza”, que exalta a grandeza territorial e natural do país e afirma que o futuro será à altura dela. “Impávido colosso” quer dizer um gigante destemido.
Estrofe final da Parte I (“Dos filhos deste solo és mãe gentil”). Fecha a primeira parte com a imagem do Brasil como mãe acolhedora de seus filhos.
Parte II
Primeira estrofe (“Deitado eternamente em berço esplêndido…”). Descreve a posição geográfica do país, banhado pelo mar e coberto por um céu profundo. “Florão da América” significa ornamento, joia do continente, e “Novo Mundo” é como a América era chamada pelos europeus.
Segunda estrofe (“Do que a terra, mais garrida…”). Elogia a beleza das paisagens, com campos floridos e bosques cheios de vida. Os versos entre aspas são uma referência à “Canção do Exílio”, poema de Gonçalves Dias, clássico do Romantismo brasileiro, e por isso aparecem entre aspas na letra oficial.
Terceira estrofe (“Brasil, de amor eterno seja símbolo…”). O “lábaro estrelado” é a Bandeira Nacional, e o “verde-louro” lembra suas cores. Ela é apresentada como símbolo de amor eterno e de um lema de “paz no futuro e glória no passado”.
Quarta estrofe (“Mas, se ergues da justiça a clava forte…”). A “clava” é um bastão usado como arma, aqui símbolo da força da justiça. Os versos dizem que, se a pátria precisar defender a justiça, seus filhos não fogem à luta nem temem a morte por quem amam.
Palavras do hino que merecem explicação
- Plácidas: calmas, tranquilas.
- Fúlgidos: brilhantes, resplandecentes.
- Penhor: garantia, prova.
- Impávido: destemido, sem medo.
- Garrida: vistosa, enfeitada.
- Lábaro: estandarte, bandeira.
- Flâmula: pequena bandeira, bandeirola.
- Clava: bastão pesado, usado como arma.
Curiosidades sobre o Hino Nacional
- A Lei nº 5.700/1971 determina o andamento da execução do hino, e a mesma lei prevê regras para sua execução em cerimônias e eventos.
- A ortografia da letra foi atualizada pela Lei nº 5.765, de 1971, e pela Convenção Ortográfica de 1943, entre Brasil e Portugal.
- A letra e a música estão em domínio público.
O Hino Nacional Brasileiro reúne história, geografia e valores cívicos em versos que atravessam gerações. Conhecer o significado de cada estrofe ajuda a entender o que o texto celebra: a independência, a natureza, a bandeira e a defesa da liberdade.

Portal de conteúdo sobre marketing, comunicação, negócios e economia, com artigos estratégicos, análises e informações atualizadas para o ambiente digital.



